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História do Município

Como tudo começou...

Em 2013, os montemorenses comemoraram os 142 anos do município, mas Monte Mor é muito mais antiga. São 142 anos apenas da emancipação político-administrativa, pois a história de Monte Mor começa muito antes da chegada dos portugueses ao Brasil. Escavações nos sítios arqueológicos Rage Maluf e Tapajós indicam a presença de uma aldeia de índios Tupi-Guarani na região da atual cidade, entre os séculos XI e XIII.

Estes índios plantavam milho, mandioca e amendoim, caçavam animais selvagens com flechas e pescavam no então cristalino Rio Capivari. Essas conclusões são possíveis devido ao trabalho do antropólogo, arqueólogo e etnólogo Desidério Aytai que, no início da década de 1970, descobriu vestígios da aldeia e grande número de objetos no sítio arqueológico Rage Maluf, localizado atrás dos bairros Jardim Progresso e Jardim Capuavinha. Lá, Aytai encontrou quase 14 mil cacos de cerâmica, como pilões, pedras para alisar cerâmica, lascas e pontas de flechas, além de uma urna funerária com dentes humanos em seu interior.

Não por coincidência, o homem branco escolheu o mesmo lugar dos índios para iniciar um novo povoado no final do século XVIII. Fatores como a boa qualidade do solo e a água em abundância contribuíram para atrair e fixar o homem nesta região. Os bandeirantes que partiam de Campinas com sentido a Porto Feliz e principalmente os cargueiros, que mais tarde, saíam de Piracicaba para comercializar seus produtos agrícolas em centros maiores como Jundiaí, São Paulo e Santos, encontravam aqui condições ideais para um pouco de descanso.

O primeiro documento oficial de Monte Mor data de 1800, quando o Coronel Modesto Antonio Coelho Neto e o alferes Luis Teixeira de Tolledo receberam sesmarias nesta região, até então pertencente à Itu, e estabeleceram-se aqui com suas famílias e escravos com o objetivo de cultivar as terras recém adquiridas. Mais tarde, famílias vindas de Itu e Porto Feliz passaram a comprar propriedades na região e iniciar o desenvolvimento de Monte Mor. Em 1820, as famílias Ferreira Alves, Bicudo de Aguirre e Aguirre Camargo doaram terras para a construção de uma capela sob a invocação de Nossa Senhora do Patrocínio. Nesta época o local era denominado Capela Curada de Nossa Senhora do Patrocínio de Capivari de Cima. O núcleo urbano era pequeno e a maioria da população vivia em propriedades rurais, reunindo-se na Capela apenas aos domingos e em dias de festas.

Por decreto de 16 de agosto de 1832, a antiga Capela Curada foi elevada à Freguesia com a denominação de Nossa Senhora do Patrocínio de Água Choca. A origem do nome Água Choca gera controvérsias. Em uma versão o nome refere-se às poças formadas pelas águas que transbordavam do rio e não voltavam ao leito. Em outra, faz menção ao fato de a água do córrego chocar-se ao Rio Capivari, daí o nome do Córrego também ser Água Choca. A versão mais aceita pelos historiadores, no entanto, conta que a água do Rio Capivari ficava parada em alguns trechos na época da estiagem, sendo chamada de choca.

O primeiro registro do nome Monte Mor foi encontrado em um documento de venda de um sítio que levava este nome e pertencia ao Barão de Monte Mor. A fazenda tinha este nome devido a um monte existente no local. Este monte era o maior da região e por isso ficou conhecido como o Monte Mor. Na primeira metade do século XIX, a principal atividade econômica da Freguesia de Água Choca era a cultura da cana-de-açúcar. Na metade do século, o café começou a ganhar espaço nas fazendas.

Em 24 de março de 1871, uma lei provincial da Assembléia Legislativa elevou a Freguesia de Água Choca à categoria de Vila de Monte Mor. Deste então, comemora-se nesta data o aniversário do município. Em 1878, Monte Mor passou a fazer parte da Comarca de Capivari, e não mais de Itu. A alteração foi solicitada pela Câmara Municipal por meio de um ofício endereçado ao presidente da província de São Paulo onde os vereadores pediam que se aprovasse a mudança considerando que não havia estradas públicas até Itu e as particulares eram mal conservadas. Além disso, a distância até Itu era quase o dobro distância até Capivari.

Com o fim da escravidão, Monte Mor ganhou um sotaque italiano. Um documento da Câmara em 1889 registra a presença de 27 famílias italianas que vieram para trabalhar nas lavouras, dividindo a função com os escravos libertos. Em 1897 foi instalada a rede de água potável na cidade e o primeiro sistema de coleta de esgoto foi inaugurado em 1901. Na virada do século, o município contava com cerca de seis mil habitantes.

Monte Mor ficou conhecida na região pela fabricação de um tipo de freio diferente para animais. Os ferreiros Antonio Gomes Rodrigues e seu filho Benjamim Gomes eram reconhecidos pela habilidade em forjar freios com peças de diâmetro menor que os convencionais, 40% mais leves e com um sistema de curva dentro da boca do animal. Os freios ficaram conhecidos como aguachocanos e teriam sido adotados pelo exército francês no início do século XX.

Em 1878 já trabalhavam vários professores na escola pública. Em 1887, a Vila tinha cerca de 80 meninos que podiam freqüentar a escola, mas não havia tantas vagas. Uma escola particular funcionava na fazenda de Francisco de Paula Penteado sob a organização do professor José Dias Ferraz. Um passo muito importante na educação foi a inauguração do Grupo Escolar em 1914, que em 1923 receberia o nome de Coronel Domingos Ferreira Alves e até hoje atende as crianças de Monte Mor. Também em 1923, Monte Mor recebeu a visita do governador Washington Luiz para a inauguração da Cadeia Pública no prédio onde hoje funciona a Ciretran (Circunscrição Regional de Trânsito).

Na década de 1930, a rivalidade entre o PC (Partido Constitucionalista) e o PRP (Partido Republicano Paulista) era tão grande que a cidade se dividia em duas em vários segmentos. Existiam dois jornais (A Semana e Folha de Monte Mor), dois cinemas (Cine Teatro Para Todos e Cine Guarani), duas bandas de música (Corporação Musical Olegário Bicudo e Bom Jesus), dois times de futebol (Monte Mor Futebol Clube e Municipal Futebol Clube), dois bancos (Banco Agrícola de Monte Mor e Cooperativa Agrícola de Monte Mor), dois médicos e até dois engenhos para a produção de aguardente.

Em 1933, a Viação Caprioli iniciou o transporte coletivo para Campinas e Capivari. Antes disto, já havia uma jardineira que fazia o transporte na estrada de terra que ligava Monte Mor a Campinas, inaugurada em 1925 e pavimentada em 1958. Em 1944, o então distrito de Elias Fausto foi desmembrado de Monte Mor, o que resultou na diminuição da população total do município.

A pavimentação da estrada Campinas/Monte Mor foi muito importante para a industrialização de Monte Mor. A partir da década de 1960, uma série de indústrias foi instalada ao longo da estrada, o que atraiu migrantes de várias regiões. Os loteamentos de baixo custo com pagamentos a longo prazo também contribuíram para um crescimento populacional nunca antes visto na cidade. A população passou de 6.322 em 1960 para 14.020 em 1980 e para 37.340 em 2000, ou seja, a população mais que dobrou em dois períodos de 20 anos consecutivos. O crescimento industrial continua até hoje, substituindo aos poucos a atividade agrícola pela industrial.

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